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Interview with Cristopher Cichocki

Cristopher Cichocki creates multi-sensory works that intersect art, science and nature. His works depict beautiful neon desert landscapes, fascinating underwater frontiers and a vast range of topographies that mix reality and imagination. Here you find Cristopher’s words about life, art and work. Immerse yourself!


Can you talk a bit about a beautiful paradox I find in your work: the desert and the underwater. 

I live and work in the desert of Southern California’s Coachella Valley, an area that was submerged underwater thousands of years ago. This region is now one of hottest places on earth. Much of the desert’s cacti and tumbleweeds are the surviving seeds of the ancient ocean. The wide-open terrain of this “desert abyss” is an extension of my studio. I create ephemeral sculptures, paintings and installations that can be discovered when least expected in the middle of nowhere. Many of these site-specific works only last for days or moments, while others have a much longer life span. My video and photography documents these actions of flux and transformation. 


In your work what references do you incorporate from the area where you live?

The neon-fluorescent colors in my work accent environmental transformation and hazard. I live near the Salton Sea, California’s largest inland body of water. The fish that you see in my work are found on the shore of the sea where thousands of fish wash up dead each year due to the sea’s unbalanced ecosystem. Scientists estimate 30 years until the Salton Sea becomes a dead sea blowing cancerous dust around Southern California. This would leave endless bird species and indigenous wildlife to face extinction. Unless action is taken soon to prevent this pending catastrophe much of Southern California will be uninhabitable in 30 years. The Salton Sea is an ecological nightmare taking place right before our eyes, yet we neglect the reality and repercussions it will induce down the road. However, this portrayal of nature in collision with man-made decay and abandonment transcends far beyond a regional topic. People interpret my neon fish representing: oil spills, toxic waste and radioactive contamination. 


You mix quite a few medias. Is there one that you like the most?

When I create an installation all of the mediums work together as a hybrid entity. My installation environments generate a multi-sensory feast for the senses where sight, sound, touch, smell, and occasional taste intersect. Because these installations involve all aspects of my work they tend to be the most exciting to produce. 


How does your creative process start?

It differs from day to day; project to project as to how I begin my process. At times I’m completely immersed in a project and the work continues in my dreams. Sometimes the starting point is simply created by exploring new environments or switching up the routine. Every experiment needs its’ variables. 

What developments are you finding in your practice as time goes by?

For the past few years I’ve been incorporating black lights in my work. The technical term for the glowing effect produced from a black light is “ultra violet radiation.” The intensity of color and optical perception in my work has entered into a new realm with this lighting. Historically, black lights and neon colors have been associated with music posters, 80’s fashion, rave culture, etc.. The colors have always been related to some product or manufactured festivity. I believe my use of black lights and fluorescent/neon are exploring new territories and associations.    


How do want or expect the public to react to your work?

My narrative is open to interpretation. However most of my audience ends up having parallel perceptions of what I had intended. I’m taking archetypes of nature and industry, twisting them into new levels of perception. There’s a familiar face to the mutation. I find that people connect with the work regardless of prior art history of training because the work reflects our environment from the beginning of time to present day.


If you could teach one thing to the world, what would that be?

It would be amazing to work with scientists and explore the undiscovered depths of the ocean. To date, we have discovered less than 5 percent of the ocean. The ocean covers 70 percent of the planet’s surface. I would love to incorporate newly discovered elements of the ocean into my art practice.

Text Juliana D Chohfi

Photo cristophersea.com

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Cristopher Cichocki cria obras multi-sensoriais que cruzam ciência, arte e natureza. Suas obras apresentam lindas paisagens de néon no deserto, fronteiras submarinas fascinantes e uma vasta gama de topografias que misturam realidade e imaginação. Aqui você encontra algumas palavras de Cristopher sobre vida, arte e trabalho, claro. É só mergulhar!

Você pode falar um pouco sobre um lindo paradoxo que eu vejo no seu trabalho: o deserto e a vida debaixo d’água.

Eu moro e trabalho no deserto do sul da Califórnia no Vale de Coachella, uma área que estava submersa em águas há milhares de anos atrás. Esta região é hoje um dos lugares mais quentes da Terra. Muitos dos cactos do deserto e alguns tipos de ervas são as sementes sobreviventes do antigo oceano. Todo esse terreno aberto, esse “deserto abismo” é uma extensão do meu estúdio. Eu crio esculturas efêmeras, pinturas e instalações que podem ser descobertas quando menos se espera, no meio do nada. Muitos desses trabalhos que são criados especialmente para o deserto, duram apenas dias ou momentos, enquanto outros têm uma vida útil muito mais longa. Meus vídeo e fotografias documentam essas ações de fluxo e transformação.

Quais referências do lugar onde mora você incorpora no trabalho?

As cores neon e fluorescentes marcam uma transformação ambiental e um certo risco no meu trabalho. Eu vivo perto do Mar Salton, a maior reserva de água em terra da Califórnia. Os peixes que você vê no meu trabalho são encontrados na costa do mar, onde aparecem milhares de peixes mortos todo ano devido ao ecossistema desequilibrado. Os cientistas estimam 30 anos até que o Mar Salton torne-se um mar morto soprando uma poeira cancerosa em torno sul da Califórnia. Isto faria com que intermináveis espécies de aves e animais selvagens entrassem em extinção. Se não se agirmos logo para evitar essa catástrofe o Sul da Califórnia será inabitável em 30 anos. O mar Salton é um pesadelo ecológico acontecendo diante dos nossos olhos, mas nós negligenciamos a realidade e as repercussões ao longo dessa estrada. No entanto, esse confronto da natureza com o homem-feito e decadente transcende muito além de um tema regional. As pessoas interpretam o meu peixe neon como derrames de petróleo, resíduos tóxicos e contaminação radioativa.

Você mistura um bom número de mídias e materiais. Existe algum que você mais gosta?

Quando eu crio uma instalação, todos os meios trabalham em conjunto como uma entidade híbrida. Meus ambientes geram uma festa para os sentidos, onde visão, audição, tato, olfato e paladar se cruzam. Por isso, acho que o envolvimento de todos os aspectos e mídias no meu trabalho tendem a ser o mais interessante mesmo.

Como começa o seu processo criativo?

É diferente a cada dia; de projeto para projeto. Às vezes eu estou completamente imerso em um projeto e o trabalho continua nos meus sonhos. Às vezes, o ponto de partida é simplesmente criado por novos ambientes ou a mudança na rotina. Todo experimento precisa de suas variáveis.

Quais os avanços que você vem encontrando na sua prática artística com o passar do tempo?

Nos últimos anos eu venho incorporando a luz negra no meu trabalho. O termo técnico para o efeito brilhante produzido a partir da luz negra é “radiação ultra-violeta”. A intensidade da cor e a percepção óptica em meu trabalho entrou em um novo nível com esta iluminação. Historicamente, a luz negra e as cores néon têm sido associadas com cartazes de música dos anos 80, moda, a cultura rave, etc. As cores sempre estiveram relacionadas a algum produto fabricado ou a uma festa. Creio que o meu uso de luz negra e cores neon e fluorescentes começam a explorar novos territórios e associações.

Como você quer ou espera que o público a reaja diante do seu trabalho?

Minha narrativa está aberta à interpretação. Entretanto, a maioria do meu público acaba tendo percepções paralelas ao que eu pretendia. Eu estou tomando os arquétipos da natureza e da indústria e distorcendo-os em novos níveis de percepção. Há um rosto familiar para a mutação. Acho que as pessoas se conectam com o trabalho, independentemente da história da arte, do treinamento, porque o trabalho reflete nosso ambiente desde o início do tempo até hoje.

Se você pudesse escolher alguma coisa para mudar no mundo, o que seria?

Seria maravilhoso trabalhar com cientistas e explorar as profundezas desconhecidas do oceano. Até hoje, nós descobrimos algo inferior à 5 por cento do oceano e o oceano cobre 70 por cento da superfície do planeta. Eu adoraria incorporar elementos recém-descobertos do oceano em minha prática artística.

Texto Juliana D Chohfi

Foto cristophersea.com


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